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A maniçoba tem origem indígena ou africana?

Muitas teorias cercam o prato tão complexo e famoso, especialmente na região norte do Brasil. Sua origem é controversa, já que existem estudos e até mesmo crenças populares que atribuem o princípio do seu consumo a determinados povos.

 

Muito se fala sobre a sua origem ser indígena. Nesta vertente, fala-se que os índios tinham o prato como uma espécie de ritual para celebrações, já que ele tem um tempo muito grande de preparo. O que podemos afirmar é que existem registros de uso da maniva pelos índios, mas para conservar as proteínas. Eles utilizavam também para este processo o moqueamento ou a conserva das proteínas no tucupi.

 

Partindo desta informação, o historiador e professor da Universidade da Amazônia (Unama), Antônio Comarú, aponta que o prato, como é consumido hoje, tem apenas uma influência indígena, e não sua origem em si, já que este povo nem sequer conhecia o sal e utilizava a maniva para outro fim.

 

O que ele também afirma ser apenas uma influência ao prato é a relação do povo africano com a maniva. A crença da origem da maniçoba associada ao povo africano era porque o prato se assemelhava muito aos consumidos no passado em senzalas, geralmente utilizando carnes e embutidos rejeitados pelos senhores brancos da casa grande.

 

No entanto, gastrônomo conta que o primeiro contato dos escravos com a mandioca foi quando os navios mercantes negreiros aportaram no vale do Rio Amazonas e a levaram para a África, tanto é que hoje a Nigéria é o maior produtor da raiz no mundo. Esses escravos dos navios, de acordo com Darcy Ribeiro no documentário “Matriz Afro”, já sabiam ler, tinham noções de comércio e tinham mais cultura que os brasileiros e inclusive, por serem árabes, tinham restrições alimentares com a carne de porco, ingrediente base da maniçoba. Portanto, é possível identificar influências deste povo assim como dos indígenas, mas não um pioneirismo na construção do prato.

 

Antônio diz que, na verdade, a maniçoba é um produto de uma cozinha de fusão: ingredientes de um lugar com princípios de outro. O ambiente que o professor acredita que tenha favorecido o surgimento dessa versão atual do prato é baseado na história da culinária paraense, com influências dos povos já citados anteriormente e também dos europeus, com a chegada no Brasil, o período da Belle Époque, em 1870, e todas as demais fusões de culinárias de diversas partes do mundo que fazem da nossa culinária, uma das mais difíceis e refinadas do mundo.

 

Afirma ainda que a configuração da maniçoba do jeito que conhecemos é mais recente do que imaginamos. Ela foi feita a primeira vez na região do nordeste do Pará, de tal maneira que é mais difícil encontrar o prato à venda em Belém que em outras regiões do estado.