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365 dias de cozimento em fogo alto

Quem é que trabalha o ano inteiro com a maniva?

 

A maniçoba é um dos elementos marcantes do Círio de Nazaré, a maior festa religiosa do Brasil. Nesta época é comum que quase todas as casas estejam com o aroma da maniva, cada uma com os seus temperos e segredos de família. No entanto, não é preciso esperar o mês de outubro pra comer maniçoba. Aliás, quem não tem tempo ou não sabe como preparar o prato,também pode contar com várias pessoas e empresas que comercializam o produto o ano inteiro.

Isso pode até ser espanto para quem não é paraense, mas, apesar da maniçoba ser um prato típico da Região Norte, pode ser um pouquinho difícil encontrá-la em algumas épocas do ano. Isto porque se trata de uma receita complexa, que exige logística, técnica e muita paciência. Para ser exato, são sete pacientes dias, enquanto a maniva cozinha. Logo, é de se esperar que nem todos os estabelecimentos por aqui tenham em seu cardápio o prato durante todos os dias do ano. Já pensou o quanto complicado deve ser? Calcular a quantidade, os dias, congelar, armazenar corretamente e depois repetir todo o processo?

 

Maniçoba é sinônimo de bons momentos

A empresária Vânia Ramos, 56 anos, por exemplo, traz a paixão pelo prato desde 1984, quando experimentou pela primeira vez a iguaria na casa de uma amiga de sua mãe. “Achei o prato muito interessante e fiquei curiosa para saber como se preparava. Nunca mais deixei de preparar tal iguaria, e em todos os anos seguintes utilizei essa receita para agradar o paladar de meus familiares e amigos”. Vânia ficou tão boa no assunto que passou a comercializar o prato o ano inteiro, no bairro de Fátima, em Belém.

Na verdade, o prato me remete aos momentos felizes com a minha família”

Segundo ela, o preparo começa com o cozimento da maniva, do charque e do toucinho fresco, durante oito dias. No sétimo dia, são adicionados os ingredientes refogados e assados (costela, lombo, orelha e o pé do porco, calabresa portuguesa, calabresa, toucinho salgado, paio, charque, entre outros). No Círio, seu maior desafio é organizar a logística das embalagens, já que trabalha com a pré-cozida. “Me apaixonei por seu sabor, até porque sua aparência não é muito agradável. Na verdade, o prato me remete aos momentos felizes com a minha família”, destaca Vânia, paraense nata, que reconhece a maniçoba como uma partilha entre pessoas queridas.

 

Com afeto e muita experiência

Essa história de vender maniçoba o ano inteiro também faz parte do dia a dia de Hilda Oliveira, economista e funcionária pública, que decidiu investir no ramo e criar a Maniva Gourmet (@manivagourmet, no Instagram). Os primeiros sortudos a degustarem o prato de Hilda foram alguns amigos e familiares que passaram a incentivar e pedir que ela fizesse para vender, não só no Círio. Hoje em dia, ela prepara uma média de 25kg por mês. Mas na época da festa religiosa paraense, a quantidade pode variar entre 60 a até 100kg.

“Eu adoro fazer a maniçoba, principalmente quando meus filhos provam e dizem que é a melhor”

Hilda não trabalha com a pré-cozida, utiliza a matéria-prima crua. Por isso, para o Círio, ela começa os preparativos em setembro, pois os materiais podem entrar em falta. Todos esses cuidados refletem no sucesso de seu empreendimento e no carinho dos clientes que são verdadeiros fãs de sua cozinha. Aliás, segundo ela, são eles que mandam! A Maniva Gourmet prepara como o cliente preferir: “normal”, “gorda” ou “light”.

“A minha relação com este prato é o Círio e a família, já que aprendi o preparo com minha mãe, que segundo meu pai, a cada ano se superava. Parece que estou vendo meu pai falar ‘essa está melhor do que a do ano passado’”, relembra Hilda.

No fim das contas, se você parar e se lembrar de todas as vezes que comeu maniçoba, é capaz de que vários desses momentos tenham sidos compartilhados com pessoas queridas, sejam elas da família ou amigos. Isto só prova que, além de deliciosa, a maniçoba é um grande motivo para criar momentos inesquecíveis com quem a gente gosta. “Eu adoro fazer a maniçoba, principalmente quando meus filhos provam e dizem que é a melhor”, finaliza.

 

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